sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O amor é outra coisa...

O amor não surge de repente numa esquina e te chacoalha todo.
O nome disso é trombadinha.
O amor é outra coisa.

O amor não inunda a sua vida e vira tudo de cabeça pra baixo.
O nome disso é tsunami.
O amor é outra coisa.

O amor não rejuvenesce.
O nome disso é peeling.
O amor é outra coisa.

O amor não traz paz de espírito.
O nome disso é coma.
O amor é outra coisa.

O amor não nos torna mais felizes.
O que faz isso é Prozac.
O amor é outra coisa.

O amor não deixa tudo mais florido.
O nome disso é adubo.
O amor é outra coisa.

O amor não faz você ver estrelas
Quem faz isso é porrada.
O amor é outra coisa.

O amor não te deixa alucinado
O nome disso é ecstasy
O amor é outra coisa.

O amor não enriquece sua vida
Quem faz isso é dinheiro.
O amor é outra coisa.

Então, o que é o amor...?

O amor... é outra coisa!
*

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Menino

Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade há uma deliciosa criatura chamada menino.
Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidos, todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo de cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente - o barulho é sua única arma - quando seu último minuto é decretado e os adultos os empacotam e metem na cama.
Meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, dentro, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para.
As mães os adoram, as meninas os odeiam, irmãos e irmãs mais velhos os suportam, adultos os ignoram, o céu os protege.
Um menino é a verdade com rosto sujo, a beleza com um corte no dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo, a esperança do futuro com uma rã no bolso.
Quando você está ocupado, um menino é uma conversa-fiada, intrometido e amolante. Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geléia, ou ele se transforma em uma criatura sádica e selvagem empenhada em desmontar o mundo ao seu redor.
Um menino é um híbrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole-espada, a energia de uma bomba atômica de bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador, a imaginação de um Júlio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro - e quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão.
Gosta de sorvete, canivetes, serrotes, pedaços de pau, água (no seu "habitat" natural), bichos grandes, papai, sábados, domingos e feriados, mangueiras de água.
Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de música, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e "hora de dormir".
Ninguém se levanta tão cedo, nem chega tão tarde para o jantar.
Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos.
Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro e meio de barbante, um saco de matéria plástica, duas pastilhas de chiclete, três notas de um real, um estilingue e um fragmento de "substância ignorada".
Um menino é uma criatura mágica: você pode mantê-lo fora do seu escritório, mas não pode expulsá-lo de seu coração. Pode pô-lo para fora da sala de visitas, mas não pode tirá-lo de sua mente. Queira, ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono, seu patrão - um cara sarapitando, um nanico, um mata-gatos, um pacote de encrencas. Mas quando à noite você chega em casa, com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ele possui a magia de soldá-los em um segundo pronunciando duas palavras somente:
"Oi, Papai!".

- Alan Beck, com a tradução de Benedicto Ferri de Barros.
*

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Evocação

Cuidado com as companhias que chamas pra junto de você...

Tirinha de Hector Salas (clique pra ampliar)
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Os Insetos Interiores

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos.
Nocivos.
Poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia
o veneno se refugia no espelho do armário
Antes do sono: o beijo de boa noite.
Antes da insônia: a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família.
São soníferos...
Chagas sem curas.
Não reproduzem. São inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas.
cortam os troncos
Urinam nos rios
E na soma dos desagravos, greves e desapegos,
esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie!
A dona que se dane!

Os insetos interiores proliferam-se assim... na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estomago
a sensação de... ? O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper
com as correntes de preguiça e mal dizer
Silenciam-se no holocausto da subserviência,
O organismo não se anima mais.

E assim, animais ou menos assim...
Descompromissados com o próprio rumo,
desprovidos de caráter e coragem
desatentos ao próprio tesouro...
Caem.

Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.

Já não mais amor.

Assim são:
Os insetos interiores
......
Fernando Anitelli (O Teatro Mágico)
*

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Matéria-prima


Ultimamente, esse grito de "fora Sarney!" tem ecoado nas nossas cabeças constantemente. Mas será que simplesmente colocar o referido senador da república para fora do seu cargo resolverá os nossos problemas políticos? Mais do que nunca acho que as coisas não são tão simples assim...

Existe um texto rodando na internet intitulado "Precisa-se de Matéria Prima para construir um País", atribuído ao João Ubaldo Ribeiro, que começa assim:

“A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão e corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país.” (...)

Esse artigo aponta categoricamente que o problema está em nós, que os políticos que vão ao poder refletem a nossa condição como povo. E sinceramente, sou inclinado a concordar. Não adianta “fora Sarney” ou quem quer que seja, se a nossa mentalidade continua a mesma. Sai este, entra outro e assim segue ininterruptamente. “Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada.”, enfatiza o referido texto.
Então, o problema não está somente nos filhos das putas desses políticos escrotos que só querem se dar bem políticos equivocados que usam o poder como forma de enriquecimento ilícito. Somos todos nós enquanto cidadãos.
Então leiam todo o texto e meditem.

Para ler o texto na íntegra, clique aqui!
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vai ser comido...

A mais nova ameaça evangélica: O bicho que vai comer todo mundo!
Menos eu! Lá ele!!

Ninguém merece um negócio desse...


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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Preguiça

"Para o preguiçoso, todos os dias são feriados." Esse provérbio popular reflete bem o perfil de um preguiçoso.
A preguiça é a pouca ou falta de disposição ou aversão ao trabalho, demora ou lentidão para fazer qualquer coisa. É o tédio ou a tristeza em relação aos bens interiores e espirituais. É um aborrecimento natural pelo trabalho no dia-a-dia, se o mesmo não tiver seu esforço recompensado.
Este sentimento faz com que as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de solução. A preguiça não se resume na preguiça física, mas também na preguiça de pensar, sentir e agir. A crença básica da preguiça é "Não necessito aprender nada", levando a um movimento limitador das idéias e ações no cotidiano e traduzido pelo "deixa para depois". A origem da palavra vem do hebraico: atsêl, que pode ser traduzida por lentidão ou indolência, sendo que a preguiça é considerada pecado mortal ao se opor diretamente ao amor a Deus.
A característica básica da preguiça pode ser encontrada em pessoas que freqüentemente adiam compromissos, decisões, projetos, mudanças, ou até simples afazeres rotineiros, comprometendo o resultado desejado, com a justificativa de que não houve tempo, ou que irá realizar outro dia, mas que na verdade, tentam ocultar uma insegurança exagerada em sua própria capacidade de agir. Utilizam-se do desânimo, esquecimento, como estratégia para fugir da necessidade de arregaçar as mangas e enfrentar a parte que lhes cabe realizar na vida. É como se sentissem imobilizadas perante à vida.
O jeito então é tentar espantar esse troço, senão nós ficaremos sempre pra trás. Disposição é a palavra-chave pra combater a preguicite aguda!
Mas... o problema é que só de pensar nisso dá uma priguiiiça...
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Liberdade e livre arbítrio

Ser livre é ter livre arbítrio. É o homem ter autonomia em seus atos. Na sociedade atual esse Direito fundamental é assegurado na constituição federal de 1988 eu seu artigo 5. Porém, o interessante é que o homem não valoriza essa liberdade, e, só quando perde é que consegue entender o quanto é importante e o quanto é necessário na vida de um ser racional. Esse princípio fundamental do homem já foi muito contestado, pois sem opções de escolha você não é livre, e sim “vigiado”. O ser livre é aquele que sabe viver sem se comprometer com coisas supérfluas para seu crescimento intelectual, cultural, religioso. Logo, todas essas características do homem em sociedade é de certa forma exercer liberdade. A sociedade limita a autonomia do ser humano, pois isso serve como um controle de condutas tidas como inadequadas, que pode acontecer de vir a privar-lhe do direito a liberdade, sofrendo as sanções da lei.
Portanto ter liberdade é ter opção de escolhas, ou seja, exercer o livre arbítrio.
O livre arbítrio é uma faculdade indispensável ao ser humano, não nos resta qualquer dúvida, pois sem ele seríamos simples máquina ou robô, sem qualquer responsabilidade dos atos que viéssemos a praticar.
À primeira vista, a liberdade do homem parece muito limitada no círculo de fatalidades que o encerra: necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, considerando a questão mais de perto, vê-se que esta liberdade é sempre suficiente para permitir que o indivíduo quebre este círculo e escape às forças opressoras.
A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser humano e aumentam quanto mais este é esclarecido; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e a consciência ética.
A liberdade de pensamento e consciência é algo de que não podemos abrir mão. Não vamos deixar que outros pensem por nós ou decidam por nós. Nem vamos fazer isso também em relação aos outros, porque isso vai gerar uma insegurança pela vida a fora.
Liberdade, igualdade e fraternidade. Eis uma fórmula sugerida pela Revolução Francesa que equacionariam bem nossas questões humanas, pois com essa medida seriamos livres sem comprometer a liberdade das outras pessoas.
*

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Joey

- Joey! Joey!! Jooeeyy!!!

Chamei em altos brados e ele não saía da casinha. “Nossa, lá vem coisa...”, pensei. Fui acender a luz. Quando fui ver, ele estava lá deitado como se estivesse dormindo.

- Joey! Joey!! Jooeeyy!!! – gritei mais uma vez.

Cutuquei ele com o pé, dei-lhe um leve chute nas pernas. Imóvel!
Mas parecia simplesmente dormir. Será que não é apenas um sono profundo?... não, não era... ele morreu... morreu!
Fiquei um tempo em choque. Não tinha espaço pra eu desabar. Tinha que dar a notícia e já pensava como remover aquele corpo grandão dali.
Como dizer o acontecido? Ora, não há outra formar de dizer... e eu disse pra todos: - Joey morreu.
Morte repentina, inexorável. De manhã ele tava bem, brinquei com ele, dei-lhe pão (ele adorava) e me despedi dele e dos outros com a certeza de vê-lo à noite. E eu o vi à noite, só que não estava mais com aquele brilho nos olhos que ele tinha quando eu chegava, não estava alegre e me chamando pra brincar, não estava puxando minha mão com a pata pra eu acariciar o seu tórax (ele adorava)... ele não estava mais lá. Somente uma carcaça que o serviu enquanto era vivo, mas que naquele momento estava vazia para sempre.
Me disseram, realmente com toda a razão: - Foi melhor assim. Pelo menos foi rápido e sem sofrimento. Pior seria ele ficar sofrendo por um tempo indeterminado. Ele já era velho e cardíaco e isso poderia acontecer a qualquer momento...
Concordo... isso alivia, mas não anula o sofrimento nem a saudade...
Morte chega e arrebata. A morte não tem ética. A morte simplesmente faz o trabalho dela. E nós que aqui ficamos, perdemos um pedaço... um pedaço que vai junto com quem a inexorável morte arrebata.
E só resta então agradecer pelo tempo que estivemos juntos. Agradecer por você simplesmente ter sido quem você foi.
Obrigado, meu amigo. Obrigado por ter existido. Me perdoe por nem sempre ter te tratado como você merecia. E se a vida continua em outro plano, espero que esta seja a mais feliz do mundo pra você.

- Adeus, Joey!
**

Joey
12/12/1998 - 17/08/2009
*

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DIOGO

Covinha no queixo
Olhar perspicaz
bochecha rosada
personificada paz.

Quando sorrir nos faz "babar"
se gargalha nos faz rir até chorar
se chora nos faz cantar
e quando "fala" faz-nos todos se calar.

A cada toque uma descoberta
em cada movimento um mundo que se apresenta
e a cada gesto nossas almas acalenta.

Como é mágico o poder que ele tem
de se fazer amado mais que ninguém
sem nem mesmo saber o que é ser alguém.


Adriana Dib
(poema da titia para o sobrinho querido)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cavalo "humano"

Às vezes nos meus habituais delírios, fico pensando como “pensam” os animais. Especificamente nesse último final de semana fui com a família pra uma exposição agropecuária, principalmente por causa do nosso pequeno que adora cavalos. E lá não foi diferente. Pagamos uma voltinha de pônei pra ele e o moleque se divertiu a beça.
Mas quero comentar o momento em que fomos ver os cavalos de raça nas estrebarias (acho que o nome é esse mesmo). Vimos espécimes realmente muito bonitos, mas teve um que chamou a minha atenção e depois a dos outros.
O bicho olhou pra mim com um olhar muito “humano”... ôxe! Esquisito! Depois colocou a cabeça pra fora da grade num claro intento de querer “me beijar”!
Sei que os animais manifestam carinho, vide os cachorros por exemplo. Mas esse foi diferente. Só vendo pra entender. E olhando pra ele, parecia que ele pensava mesmo, que tinha “opinião”. Hummm!
Aí me veio o delírio: - O que será que esse eqüino pensa da vida que leva? De viver assim preso e exposto à visitação ou então sendo colocado em cabrestos e montado por humanos? E especificamente agora, o que ta pensando de mim, de todos que aqui vem até sua grade?
E essa atitude de querer dar um beijo... um beijo de cavalo na gente! Haha!
Nossa, pensamento e sentimentos também! Talvez eles sejam mais humanos do que a gente pensa.

Olha a foto da ilustre figura equina (se clicar na foto, ela amplia):

*

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Retorno

No post anterior falei sobre a minha insatisfação pela ausência de um certo serzinho...
Ele voltou! Que felicidade! Tava roxo de saudades! Hehe!
Bom... o que tava organizado, desorganizou; o que tava arrumado, bagunçou; o que tava silencioso, eita zuada da peste! Quietude... aonde?? É mais fácil o tempo parar!
Como tinha acabado de chegar não quis dormir na cama dele. Veio dormir entre mim e a mamãe. Se dormisse quieto, óootemo! Mas quanta cabeçada, cotovelada e joelhadas eu levei nessa noite!
Já vi que depois desse moleque, o meu destino não é mais dormir normalmente.
Aí, olhei para ele dormindo e perguntei a mamãe: como eu posso ficar com saudades de um malinha desses? Como posso gostar tanto dum moleque pentelho desses?
Ela apenas sorriu e não respondeu... a resposta não está nos livros, nem mesmo em nenhuma reentrância dos neurônios com suas ligações sinápticas.
E no fundo eu sei bem qual é esta resposta.
*

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Insatisfeito, sim senhor!

Somos eternos insatisfeitos!
Essa é a grande verdade, pelo menos para este que vos escreve.

Eu sempre tenho reclamado que não durmo mais direito como dormia antes do meu pequeno notável amado filho nascer. Para ele não há sábado nem domingo para acordar mais tarde e descansar do batente da semana. Ele acorda praticamente no mesmo horário de domingo a domingo. Logo, eu e a mamãe acordamos também.
Bem... ele e a mamãe estão viajando, ou seja, tenho uns 15 dias sozinho em casa para colocar meu sono em dia. Tipo, dormir pra caramba! Hehe!

Aí pergunto: Estou satisfeito?!

A resposta é: To nada! Estou mesmo é com saudades...

E aí quem dorme bem desse jeito?
*

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Selo Blog Dorado

Catei esse selo no blog de Eva e resolvi entrar na brincadeira.

As regras, pra quem quiser participar, são:

1) Mencionar quem lhe ofereceu o selo.

2) Completar a frase "Eu sou Luz e quero iluminar…"

3) Passar o selo para outro(s) blog(s) que quisermos "iluminar". hehe!

Então, segue o selo e a frase:

Eu sou Luz e quero iluminar tudo e todos que estiverem à minha volta, porque tenho medo do escuro!
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Eu indico o 'Do outro lado do oceano...'
...

sábado, 13 de junho de 2009

Palavrão - uma terapia

O texto a segui é do Millôr Fernandes. Mas, até poderia ser meu se eu tivesse a mesma capacidade dele pra escrever, pois a idéia deste é idêntica ao que eu penso.
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Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!"o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupiscínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente às situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma! ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar esacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Foda-se!
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