terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Saber ou não saber


“Tudo o que sei é que nada sei”?? Errado! Eu não sei tudo, é claro. Mas, já sei muita coisa.

Aliás, grande filósofo Sócrates, não acredito que você disse isso no sentido concreto. Você sabe pra caramba, é você sabe que sabe! Então essa história de falar que o Oráculo de Delfos disse que tu eras sábio porque sabia que não sabia, pra mim tem outra conotação. É lógico, ó grande pensador, que você estava querendo baixar a crista daqueles que pensam que sabem tudo, que era o que não faltava em Atenas da sua época. Mas hoje, na contemporaneidade, é o que não falta também. Evidentemente, alegar que todos os ditos sofistas eram retóricos vazios é também querer forçar muito a barra da parte do seu digníssimo discípulo Platão, o qual lhe atribuía isso em seus fabulosos diálogos filosóficos.

Mas não quero ficar fazendo antropologia filosófica do pensamento grego antigo. O que quero expor é que quanto ao saber ou não, eu sei razoavelmente muita coisa sim. A questão é que ‘não saber’ não é o grande problema do ser humano.

Escrevo aqui agora uma frase pós-socrática: Tudo o que sei é que sei muito, mas não sei o que fazer com o que sei.

Esse é o grande dilema a meu ver. É ‘saber’ e não saber o que fazer com o que se sabe. É, muitas vezes, um indivíduo ser portado de uma gama de conhecimento e isso ser quase ou completamente estéril na sua vida.

Eu sei bastante, mas o que eu faço com todo esse conhecimento??

Isso me lembra uma frase de um filósofo-louco contemporâneo, o Raul Seixas: “É uma pena eu não ser burro, pois assim eu não sofria tanto.”

A conclusão disso é: quanto mais sabemos, mais temos consciência de nós mesmos e do mundo a nossa volta... e o resultado dessa equação é SOFRIMENTO. Isso mesmo! Seguem-se aí as preocupações várias, competitividade, paranóias, frustrações, medo...

Há, como seria bom viver com a doce alienação da ignorância!
...

4 comentários:

Bruno Gomes disse...

Realmente Sócrates sabia muita coisa e quem ler os livros do Platão com cuidado sabe do que estou falando.

Depois de comprar livros como "A Apologia de Sócrates" e "O Banquete" (baratinhos, R$ 10 cada um) eu fiquei fascinado com a sabedoria para as coisas da vida e do ser humano que ele tinha.

Eu acredito que todo sábio sabe que possui algo de diferente.
Todo gênio, intimamente, tem consciência que possui algo que, de certa forma, o diferencia das outras pessoas.

E, talvez, nem os sábios e nem os gênios saberiam dizer "que coisa" é essa que eles possuem de especial.
O que os leva, frequentemente, a serem modestos sobre os seus conhecimentos!

Até porque todo sábio e todo gênio confia firmemente no que sabe, o que os leva até o holocausto pelas suas idéias.

Mas é melhor ver um sábio modesto com a sua sabedoria e um gênio modesto com a sua genialidade, do que ver uma dupla de prepotentes achando possuir possibilidades ilimitadas de tirocínio rivalizando com o próprio Criador.

Até porque, relembrando Shakespeare em Hamlet: “Há mais coisas entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia"

E para os sábios existe algo:

18. O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe são ocultas?
– O véu se levanta para ele à medida que se depura; mas, para compreender algumas coisas, precisa de faculdades, dons, que ainda não possui.

E para os gênios, outra:

19. O homem não pode, pelas investigações das ciências, penetrar em alguns dos segredos da natureza?
– A ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas, mas não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.

Abraços! =)

.:Danilo Cruz disse...

Dib, você está igual a Albergaria: "Melhor mesmo é nascer burro, viver na ignorância e morrer de repente".
Acho que esse seria o Éden mais sem graça que poderia existir. Melhor é saber, e, como Sócrates, ir percebendo aos poucos quão maior é o cognoscível que o já conhecido. Quanto mais eu sei, mais percebo o quanto a minha ignorância me afasta da plenitude...
E se for pra apelar ao Livro dos Espíritos, Bruninho, prefiro a questão 898...

Luciana disse...

A conclusão disso é: quanto mais sabemos, mais temos consciência de nós mesmos e do mundo a nossa volta... e o resultado dessa equação é SOFRIMENTO. Isso mesmo! Seguem-se aí as preocupações várias, competitividade, paranóias, frustrações, medo...

Há, como seria bom viver com a doce alienação da ignorância!
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Póis é,e é por isso que eu quero voltar ser loira!rs Agora sdo vai demorar um pouco mais né?rs(N posso pintar)
Qnto as noites mal dormidas...Ih,conheço bem isso.Tenho já uma nêga de 4 anos(Tem fotinha dela la no Blog,em um post mais velho.Linda,linda e não é coisa de mãe coruja não!rs)
Xero

Eva disse...

Concordo que o saber trás consigo responsabilidades. No entanto, não concordo que junto com a responsabilidade venha sofrimento.
O conhecimento se utilizado poderá nos poupar de sofrimentos.
Eu não preciso cair em um buraco para saber que posso me machucar. Eu SEI que é perigoso e por isso evito e, se junto comigo houver uma criança, tenho a RESPONSABILIDADE de evitar que ela caia também.
Estou adorando seus textos. Você sabe disso.
Beijinhos.