terça-feira, 18 de agosto de 2009

Joey

- Joey! Joey!! Jooeeyy!!!

Chamei em altos brados e ele não saía da casinha. “Nossa, lá vem coisa...”, pensei. Fui acender a luz. Quando fui ver, ele estava lá deitado como se estivesse dormindo.

- Joey! Joey!! Jooeeyy!!! – gritei mais uma vez.

Cutuquei ele com o pé, dei-lhe um leve chute nas pernas. Imóvel!
Mas parecia simplesmente dormir. Será que não é apenas um sono profundo?... não, não era... ele morreu... morreu!
Fiquei um tempo em choque. Não tinha espaço pra eu desabar. Tinha que dar a notícia e já pensava como remover aquele corpo grandão dali.
Como dizer o acontecido? Ora, não há outra formar de dizer... e eu disse pra todos: - Joey morreu.
Morte repentina, inexorável. De manhã ele tava bem, brinquei com ele, dei-lhe pão (ele adorava) e me despedi dele e dos outros com a certeza de vê-lo à noite. E eu o vi à noite, só que não estava mais com aquele brilho nos olhos que ele tinha quando eu chegava, não estava alegre e me chamando pra brincar, não estava puxando minha mão com a pata pra eu acariciar o seu tórax (ele adorava)... ele não estava mais lá. Somente uma carcaça que o serviu enquanto era vivo, mas que naquele momento estava vazia para sempre.
Me disseram, realmente com toda a razão: - Foi melhor assim. Pelo menos foi rápido e sem sofrimento. Pior seria ele ficar sofrendo por um tempo indeterminado. Ele já era velho e cardíaco e isso poderia acontecer a qualquer momento...
Concordo... isso alivia, mas não anula o sofrimento nem a saudade...
Morte chega e arrebata. A morte não tem ética. A morte simplesmente faz o trabalho dela. E nós que aqui ficamos, perdemos um pedaço... um pedaço que vai junto com quem a inexorável morte arrebata.
E só resta então agradecer pelo tempo que estivemos juntos. Agradecer por você simplesmente ter sido quem você foi.
Obrigado, meu amigo. Obrigado por ter existido. Me perdoe por nem sempre ter te tratado como você merecia. E se a vida continua em outro plano, espero que esta seja a mais feliz do mundo pra você.

- Adeus, Joey!
**

Joey
12/12/1998 - 17/08/2009
*

3 comentários:

Eva disse...

Vai fazer falta. Já está fazendo.

O que não posso deixar de comentar é que é um dos poucos casos que eu conheço que foi o cão que adotou o dono.
Ele era vidrado em você.

Figueredo Dias disse...

SAUDADE MALTRATA
MAS COM O PASSAR DO TEMPO TAMBÉM SE VAI;
A FINITUDE ESQUECIDA TANTAS VEZES
SE FAZ PRESENTE;
A MORTE É A ÚNICA CERTEZA QUE TEMOS,
E A QUE NA MAIORIA DAS VEZES QUEREMOS ESQUECER.
AMIGO...SEMPRE FAZ FALTA.

Marcia Menezes disse...

Sei como é isso Ricardo...
Também já fiquei com o peito doendo pela perda de alguns amigos-animais...
Mas como vc mesmo lembrou, o que vale é o tempo em que eles partilharam a vida conosco, os momentos legais e certamente o aprendizado que tiramos disso.
Fique bem...
Beijos